domingo, 29 de janeiro de 2012

Cotidiano


Além de acorda antes do sol, chorando querendo mais cama, mais sonhos, vem aquele banho de mente vazia e olhos vidrados no canto do azulejo enquanto a mão esfrega automaticamente o sabonete na barriga, ainda em estado grogue sai a rua para andar ate o ponto com sol dando seus oi no final do horizonte, abarrotado como sempre o ônibus chega, seis querem entrar e uma tia quer descer , dorminhocos e dj's é o que mais tem dentro do coletivo, e para ajudar o motoqueiro foi atropelado na via principal, atrasando a viajem ate a estação de metrô, se o ônibus estava cheio, a estação do metrô não tem nem comentários e se tivesse seria 'horda de zumbi',  pessoas se arrastando como se fosse um único ser, escadas que descem sozinhas vomitam pessoas e mais pessoas na plataforma já lotada, e assim que o tem aponta é como uma onda elétrica perpassasse todos, deixando os alertas, se espremendo mais do que já estava espremido, e quando o trem para, uma sede é vista nos rostos, um brilho medonho nos olhos, e ao abrir as portas, começa a batalha, varias empurradas, xingamentos mudos, o desespero, e finalmente o apito infernal das portas se fechando, deixando para trás uma plataforma lotada e faminta, mas o pior esta por vir, a baldeação da Sé. Pânico, ao parar, o trem explode pessoas, e é dada a largada, todos correndo para pegar o próximo trem, para quem sabe chegar a tempo no trabalho, pelo menos desta vez o trem começa cheio e vai esvaziando, na saída da estação o sol já aponta alto, queimando os olhos dos desinformados, então mais um ônibus e mais uma ligeira caminha e finalmente mas não felizmente o escritório, e passada 8 horas de não sei o que, provavelmente algo inútil para humanidade em geral, é hora de voltar para casa, opa, espera, você é um universitário, é hora de ir para faculdade, mas uma aventura de busão cheia de dj's e cc's, com a senhora preguiça falando ao pé do ouvido, mas a voz da 'razão' prevalece, e vai lá ficar 4 horas 'estudando', para depois fazer a última jornada, agora de volta para casa, para poder dormir  um pouco e amanhã fazer tudo isso novamente, e assim pelos próximos 3 ou 4 anos, ou 30 ou 40 anos.

(Matuzaleu)
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