segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Assim Falava Zaratustra


[...]"Ó meu animais" - respondeu Zaratustra - "prosegui falando assim e deixa-me escutar. Vossa conversa me reanima. Onde se fala, o mundo parece dilatar-se diante de mim como um jardim.
  Como é agradável ouvir palavras e sons! Não serão as palavras e os sons os acor-íris e as pontes ilusórias entre as coisas eternamente separadas?
  A cada alma pertence um mundo diferente. Para cada alma, toda outra alma é um além mundo.
  Justamente entre aquelas que mais se parecem, da mais bela maneira a aparência é mentirosa porque é o abismo pequeno que se torna difícil de transpor.
  Para mim, como poderia haver qualquer coisas fora de mim? Não há exterior! Todos os sons, porém, fazem-nos esquecer isso. Como é agradável poder esquecer!
  Não foram os nomes e os sons dados às coisas para o homem se recrear com elas? Falar é uma bela loucura. Falando, o homem dança sobre todas as coisas.
  Como toda a palavra é doce! Como parecem doces todas as mentiras dos sons! Os sons fazem dançar nosso amor em variado arco-íris."
  Então os animais disseram: "Zaratustra, para os que pensam como nós, tudo torna a florescer; correm eternamente fiel a si mesmo.
  A todos os momentos a existência principia. Em torno de cada aqui, gira a bola acolá. O centro está em toda a parte. A senda da eternidade é tortuosa."[...]

(Nietzsche)
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